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Projetos

Casa de fazenda

30 de abril de 2026

·

3 min de leitura

Casa de fazenda

Casa na Fazenda — Arquitetura entre a Mata e a Represa

Toda casa começa com um desenho.
Mas, em alguns projetos, o ponto de partida é outro.

Aqui, a decisão inicial foi clara:
não ocupar o terreno como objeto, mas construir uma relação com ele.

Implantada em uma fazenda em Minas Gerais, em meio à mata e com vista para uma represa, essa casa foi pensada para ser vivida a partir do lugar — e não apenas posicionada sobre ele.


A casa como percurso

Em vez de concentrar todo o programa em um único volume, o projeto se organiza em blocos independentes.

Essa decisão não é formal.

Ela nasce da intenção de criar distâncias entre os usos — e, com isso, transformar o deslocamento em parte da experiência.

Ao caminhar entre os volumes, o morador passa a perceber o entorno de forma mais ativa: a sombra das árvores, a ventilação, a mudança de luz ao longo do dia.

A casa não se resume aos ambientes internos.
Ela se constrói também nos intervalos.


Implantação: respeitar antes de definir

O terreno já apresentava uma condição muito clara: mata consolidada e abertura para a represa.

O projeto parte do entendimento de que essas características não deveriam ser alteradas, mas potencializadas.

Os blocos são posicionados para:

  • preservar a vegetação existente

  • direcionar as principais vistas para a água

  • garantir ventilação cruzada

  • controlar a incidência solar

A base em pedra estabelece a relação com o solo, enquanto os volumes superiores se abrem de forma mais leve para a paisagem.


Arquitetura brasileira como referência

A linguagem do projeto parte de princípios recorrentes da arquitetura brasileira:

  • uso de beirais para controle solar

  • valorização de espaços intermediários

  • integração entre interior e exterior

  • ventilação natural como premissa

Não há interesse em criar uma imagem específica.
O foco está em construir um espaço que funcione bem no clima e no contexto em que está inserido.


Materialidade: coerência e permanência

Os materiais foram definidos a partir de três critérios: durabilidade, leitura clara e relação com o entorno.

Pedra
Utilizada na base, reforça a sensação de permanência e estabelece conexão direta com o terreno.

Madeira
Presente nos forros e elementos de transição, contribui para o conforto térmico e para a qualidade dos espaços.

Superfícies minerais
Planos mais neutros equilibram o conjunto e permitem que a paisagem tenha protagonismo.

A escolha não busca destaque isolado, mas coerência no conjunto.


Os espaços e a relação com o exterior

A área social se abre completamente para a varanda, que funciona como extensão direta dos ambientes internos.

Essa transição é contínua, sem ruptura clara entre dentro e fora.

Os quartos, organizados em blocos independentes, garantem privacidade, mas mantêm conexão com a paisagem.

Entre esses volumes, surgem caminhos e áreas de permanência que ampliam o uso da casa.


A vista como elemento de projeto

A represa é um dos principais elementos de organização do projeto.

Os ambientes são orientados para essa direção, mas a vista não é exposta de forma direta o tempo todo.

Ela aparece de maneira controlada, muitas vezes filtrada pela vegetação existente.

Essa estratégia permite uma relação mais equilibrada com a paisagem, evitando exposição excessiva e valorizando o enquadramento.


O resultado

O resultado é uma casa que não se impõe sobre o terreno.

Uma arquitetura que se constrói a partir da relação com o entorno — e que ganha força justamente por isso.

Mais do que resolver um programa, o projeto define uma forma de viver o lugar.


Arquitetura, para nós, é isso

Não se trata de linguagem ou estilo.

Mas de leitura.

Do terreno.
Do contexto.
E de quem vai viver ali.

Na Pavanelli Arquitetura, cada projeto parte desse entendimento.


Se isso faz sentido para você

O primeiro passo não é o desenho.

É a conversa.

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